04 janeiro 2013


    Em questão de segundos, os seus lábios formaram um tímido sorriso. Foi inevitável! Olhar para aquele rapaz e não sorrir é o mesmo que ter muitas gomas à sua disposição e não as comer, ou seja: dificílimo. É um pouco como um ato involuntário! Afinal de contas, aquele rapaz… aquele mesmo à sua frente já fez parte do seu quotidiano.
    À medida que ia avançando, ia olhando e recordando. A primeira memória foi quando se conheceram. Foi puro acaso, mas quando acabaram a primeira conversa, ela sentiu que aquilo não tinha sido ao acaso. Naquele mesmo dia, regressara a casa com o maior sorriso alguma vez visto e não sabia porquê. Enquanto os seus passos aumentavam, com eles, memórias e mais memórias iam acompanhando. Algumas imagens soltas, outras com um grande rumo, tal como um filme. Recordações dos dois que a marcaram, direta ou indiretamente.
    Segundos antes de chegar ao pé dele, a última coisa que lhe passara pela cabeça foi um abraço. Não era o primeiro, nem o último que deram, mas, aquele foi especial. Apenas os dois, em frente ao mar, agarrados como se nada nem ninguém os pudesse separar, como se fossem um só, como se fosse para sempre. Mas o sempre só é para sempre enquanto dura. E o sempre deles acabara.
    Passara por ele e nada. Nada de sorrisos, nada de palavras, nada de olhares. Continuou, e quando já estava bem longe, desviou o olhar para trás. Ele olhava-a fixamente. Talvez estivesse a lembrar, tal como ela, o que viveram. Talvez… 

23 novembro 2012


   
    Ver estas fotos, recordar as nossas felicidades, reviver os sorrisos. Tudo isto ainda me custa. Passou tanto tempo, mas ao mesmo tempo tão pouco. Pensei que me tinha reconstruido, que tinha construído a maior muralha existente em volta do meu coração, mas uma simples foto fê-la desmoronar-se em mil e um pedaços. É que… eu sinto tantas saudades dele! E saber que nunca mais o irei ver mata-me aos poucos, como uma doença sem cura.
    Tudo se passou há 10 anos, quando eramos apenas umas crianças. O seu sorriso cativara-me desde a primeira vez que o vira. Alguma coisa nele me dizia que eramos feitos um para o outro, almas gémeas. Mas, por outro lado, o que é que um adolescente de 16 anos sabe sobre o amor? Bem… hoje eu percebo que sabia tudo, que vivi com a intensidade necessária, que amei o máximo possível, mas não chegou! Eu queria ter amado mais, queria ter sorrido mais. A verdade é que nós os dois nos apaixonamos um pelo outro, e parecia que nada, nem ninguém poderia estragar isso, que nada, nem ninguém nos iria separar, nunca. Digo bem… parecia!
    Aquela noite iria ser perfeita. Fazíamos um ano de namoro e, para celebrar, fomos a um restaurante. O melhor da cidade! Antes de seguirmos para o dito restaurante, ele passou por minha casa para me vir buscar. Mas chegou cedo demais. Então, enquanto me preparava, ele ficou no meu quarto à espera. Vesti um vestido azul claro, com um pouco de renda na parte superior, penteei os meus longos e lisos cabelos e sai para me mostrar ao meu amor. Ele abriu a boca em sinal de espanto e murmurou algo do tipo “Estás linda, meu amor”. Senti-me a corar. Ele avançou para mim e agarrou-me pela cintura enquanto me beijava. Um arrepio invadiu-me! Despregados deste longo beijo, apressámo-nos a ir para o carro que nos conduziria para a (suposta) noite perfeita.
    Quando chegámos ao restaurante, não existia lugar para estacionar, por isso, ele mandou-me sair do carro, para ir reservar a mesa, enquanto ele procurava um estacionamento. Assim foi, entrei, reservei e esperei. Esperei 10, 20, aos 30 minutos comecei a passar-me e fui ver o que se passava. E aí, bem, é inexplicável, a dor, o horror que me invadiu naquele momento. O carro em que seguíamos estava desfeito. Um condutor bêbado que estava a sair embateu no nosso veículo, causando um aparatoso acidente. Corri em direcção ao carro, enquanto chorava e pedia para que não fosse verdade. O corpo dele estava repousado sobre o volante, e a cabeça dele estava voltada para mim. Eu chamava o seu nome vezes sem conta, enquanto ele encarava o nada. O meu mundo desmoronou-se em 5 segundos, 5 segundos que mudaram a minha vida para sempre.
    Enquanto observava as fotos, reparei que uma delas tinha algo escrito atrás. Era uma fotografia em que ele me pegava ao colo e estávamos os dois felizes, à espera de um futuro feliz. Estava escrito: Eu sei o quanto estás triste. A saudade também me consome a cada segundo! Não poder estar junto a ti, não te poder tocar… E a tristeza invade-me cada vez que vejo uma lágrima a percorrer a tua face. Peço desculpa. Peço desculpa por não ter realizado os teus sonhos. De não sermos felizes para sempre, de não sermos uma família, de não envelhecermos juntos. Eu amo-te para a eternidade, porque sabes… o verdadeiro amor destrói qualquer obstáculo, até o da morte.
    Abracei a foto, enquanto chorava desalmadamente. Como é que isto era possível? Até hoje ainda não descobri, mas todos os dia, até ao fim, releio aquela “carta” e lembro-me que ele está bem e que um dia o irei reencontrar e cumpriremos o nosso sonho de sermos felizes para sempre.

18 julho 2012

    Todas temos aqueles sonhos de menina. Aqueles que passamos a vida a idealizar, aqueles que esperamos tanto que até saboreamos antes de acontecer. Às vezes guardamos para nós, não partilhamos com mais ninguém. Acabamos por ter medo que nos critiquem pelo que queremos, temos medo que nos digam que não somos capazes. E temos medo que nos façam desistir. Então fica apenas no nosso intimo, que espera, insistentemente pelo grande momento em que colocamos um sorriso na cara e dizemos "Consegui. Demorou, mas valeu a pena."

16 julho 2012


"Daqui a alguns anos você vai estar casado. Talvez com uma belieber, ou com uma outra garota. Daqui a alguns anos você olhará para trás e dirá ao seus filhos que acreditem em seus sonhos, assim como você fez. Você sentirá orgulho de si mesmo e se lembrará que todos dependem de você para continuar sorrindo. Talvez daqui a alguns anos , muitas pessoas que te julgavam, começarão a te respeitar. Muitas pessoas que não sabiam da sua existência, vai saber quem é você. Todos saberão, das coisas boas que você fez, quantos corações você fez sorrir e quantas pessoas você ensinou a acreditarem em seus sonhos. Daqui a alguns anos, eu não vou ter tempo para me atualizar sobre notícias suas. Vou ter um trabalho, responsabilidades e não terei muito tempo para ouvir suas músicas. Daqui a alguns anos, eu vou ter filhos, marido… até mesmo netos. Mesmo que eu não tenha tempo, para te acompanhar como te acompanho agora, eu vou sempre ter você em meu coração. Enquanto estiver trabalhando, vou cantar suas músicas, enquanto estiver cuidando de meus filhos, vou contar tudo que sei sobre você, tudo que você me ensinou e como eu te amo. Quando eu estiver tendo uma briga com alguém que amo, ou até mesmo desistindo dos meus sonhos, vou me lembrar de você e tudo que você me ensinou. Vou arranjar forças no seu sorriso e na sua história para continuar[…] Chegará o dia em que eu receberei a notícia de sua morte. Eu tenho certeza que sentirei um vazio em meu coração, pois a pessoa que eu mais amava não estará mais ali. Quando esse dia chegar, acredite, eu vou lutar pela minha vida, e para não desistir por isso. Vou pensar em você sempre, porque sei que você estará olhando e protegendo cada belieber que existe, do céu, como um anjo. Chegará um dia em que meus netos, vão perguntar quem é Justin Bieber, e eu vou responder com os olhos cheios de lágrimas: ” Justin Bieber, é a minha vida e é uma das pessoas mais boas que eu já vi…exatamente como é agora, ele é o anjinho que olha a vovó do céu.” Mesmo que todos achem isso loucura, algo impossível, infantilidade ou perda de tempo, eu sei que isso é um dos amores mais verdadeiros que pode existir, sei que o amor entre Justin Drew Bieber e as Beliebers, será eterno, e que não importa a opinião dos outros, isso tudo, vai ser até o fim. Ou até depois dele."
(este texto não é de minha autoria)

    Todos nascemos e vivemos. Vivemos o máximo possível, experienciamos vidas, histórias, somos felizes, umas vezes, tristes, outras. É a lei da vida. A lei a que todos nos sujeitamos, aquela que respeitamos, aquela em que nos refugiamos.
     Por vezes, sentimos necessidade de rever a nossa jornada e, enquanto assistimos, deparamo-nos com um pouco de tudo, mas o que nos chama mais a atenção são as ruínas. Sim, as ruínas! Elas estão lá para representar algo que o coração tentou destruir, mas, estas eram mais fortes e permaneceram de pé, embora com pequenos problemas. Ou seja, as ruínas são o passado que tentamos esquecer, mas sem sucesso, pois ele tem algo para nos ensinar, para nos lembrar que podemos ter sido infelizes numa altura, mas, que, em cada minuto de tristeza, existiram dez de alegria. E, se escutarmos em silêncio, conseguiremos ouvir as mais belas histórias e experiências, que nos fazem sonhar, sonhar e perceber que o impossível se torna possível, se apenas quisermos ser bem-sucedidos, se lutarmos e confiarmos em nós mesmos e principalmente, se não desistirmos.
       Apesar disso, muitos ainda continuam duvidosos se as ruínas terão mesmo um papel importante na nossa vida. Aí, eu pergunto: Gostarias de ter uma vida em que não te lembrasses de nada, das felicidades, do que aprendeste com os erros e os voltasses a cometer, vezes e vezes, magoando-te sempre nos mesmos locais, abrindo feridas antigas de que tu próprio não tens memória? Gostavas de não te lembrares do quanto foi bom sorrires com quem te acompanhou sempre, nos bons e maus momentos, o quanto isso significou para ti? Gostavas de te esquecer de quem te consolou nas lágrimas derramadas, só porque o teu coração foi suficientemente forte para abater as tuas memórias da tua cabeça, do teu viver? De esquecer quem amaste?
        Então, agora imagina-te sem as bases que te fizeram crescer, sem o dito passado e as ditas ruínas que nos ‘assombram’ para o resto da vida. Imagina que, por não existirem, tu desistias dos teus sonhos facilmente, esquecias-te do que era ser feliz. Afinal, isso não seria nascer e viver. Isso seria nascer e morrer…
      

Sempre! A mais incrível das palavras, a mais longa, a mais feliz! É simples, é fácil, mas é também a mais fantástica, a mais prometida, a mais esperada.
    O sempre é o início do fim, uma forma de ficarmos mais junto de quem gostamos, uma forma de combater a saudade, um adeus adiado …
    A palavra mais satisfatória, mas, simultaneamente, a causadora de mais e maiores desilusões! As promessas de sempre tornam-se, por vezes, completamente absurdas, impossíveis de concretizar!
    Sempre lembra sonhos, novas vidas continuadas, novos amores com desejos de futuro, busca de felicidade, …
    Será o sempre impossível? Ou será o mais natural do mundo? Será que é algo que conseguimos fazer todos os dias, sem darmos conta?
    O sempre é sinónimo de infinito, é algo inteiro, como o universo, difícil de compreender, mas completamente fantástico e único!
    Ao longo destas linhas, apercebi-me de que a minha palavra favorita é ‘sempre’, não pela sua musicalidade, mas sim pelo significado que lhe corre nas veias, por nela tatuar lembranças e fantasias de criança, pelo facto de nela morar o desejo secreto do ser humano, por isso, sim, posso afirmar que a minha palavra é sempre!

    Uma a uma, elas vão escorrendo pela nossa cara. Muitas sem aviso prévio, todas com uma história escondida, milhões de sentimentos que não couberam no coração e escorregaram abruptamente pela nossa face. Primeiro, muito encolhidas, a espreitar pelo canto do olho, depois, com mais liberdade, mais espontaneidade, expondo o nosso interior. São elas, as lágrimas, que nos acompanham quando estamos tristes, emocionados, magoados, quando sentimos saudades … Ah, as saudades! As grandes aliadas, companheiras das pequenas gotas que teimam em aparecer.
    Já nos questionamos porventura sobre o porquê de sermos assaltados por elas. Muitos são as suposições lançadas e perdidas na escuridão da dúvida. Alguns pensam que apenas existem para nos ajudar a exprimir o que queremos dizer, sem palavras. Outros, mais ousados, palpitam que choramos porque não temos capacidade de guardar os sentimentos e explodimos, transbordamos, tal como um copo de água que enchemos com pouca atenção. Tantas as opiniões, todas verdadeiras, todas erradas, quem sabe …
    Maioritariamente, pensamos em escondê-las. Respiramos fundo, piscamos os olhos várias vezes e olhamos para o teto. Marotas, as lágrimas balançam, irrequietas, ameaçando cair. Não temos bem a noção concreta do porquê de não querermos mostrá-las. Talvez tenhamos receio de que nos acusem de sermos fracos, ou não queiramos partilhar as nossas inseguranças, as nossas emoções e nos reservemos no nosso mundo, aquele que nos compreende. É tudo um pouco incerto …
    Bem, aqui vamos nós! ameaçam as lágrimas, saltitantes, prontas a brotar.
 Respiro o mais fundo possível e olho para o céu, na esperança de que ninguém repare. Elas dançam e sorriem, ironicamente. Continuo a piscar e parece-me que desapareceram.
Agora é só seguir em frente …